NUNCA É TARDE DEMAIS!

Afasta-te de mim porque sou pecador, disse Simão Pedro, prostrado aos pés de Jesus. Nessa passagem, as palavras do apóstolo não correspondem à atitude adotada pelo mesmo. Pedro quer se afastar, reconhecendo-se pecador, mas também quer se aproximar, atirando-se aos pés do Senhor. (https://www.mosteirodesaobentorio.org.br/files/15498903455.-V-DTC—C—A-pesca-milagrosa.pdf)

O filme abaixo ( link ao final do texto), baseado no conto do escritor russo Leon Tolstoi, narra a história de Martin Avdeitch, um sapateiro que, assim como Pedro, diante das desilusões da vida, acaba por se afastar de Deus…Mas Deus, por sua vez, não se afasta dele.

O Senhor Jesus, em sua infinita misericórdia, visita o sapateiro em seu labor, do mesmo modo como visitou Pedro. Pedro é elevado à condição de pescador de homens; também o sapateiro,  uma vez resgatado do mar de mágoas e rancores em que se encontrava, transforma-se num homem novo, capaz de amar.

O filme nos transmite uma mensagem assaz verdadeira: Deus não desiste de nós. Visitou Pedro,visitou o sapateiro e também nos visita.

Por mais que às vezes nos sintamos abandonados por Deus, nunca devemos perder a esperança de que Ele está mais próximo de nós do que  imaginamos. Está presente no nosso dia a dia, manifestando-se através de um amigo, de um conselho, de um acontecimento, de um sonho, convidando-nos a uma vida nova.

Procuremos então ouvir a voz de Deus em nossas vidas.

Afinal, nunca é tarde demais!

A VELHICE

A velhice é algo bom ou algo ruim?

Esta é uma questão filosófica. Acredito que todo mundo, em algum momento da vida, parou e pensou:  estou ficando velho…

A ideia de velhice nos faz pensar sobre a vida, não é mesmo?! Acho que o primeiro filósofo, ao filosofar, tinha como objeto de reflexão  a própria velhice.  Rs.  Confesso que penso nisso todo o ano, principalmente no dia do meu aniversário (foto ao final do texto).

Se por um lado a velhice nos assusta, por outro lado parece – por assim dizer- que ela é  necessária para nosso pleno desenvolvimento como ser humano.

Essa inquietação que a velhice nos traz,  ora atrelada à ideia de sofrimento, ora ligada a ideia de amadurecimento humano, é que proponho  apaziguar com este texto. 

Podemos pensar a velhice sob duas perspectivas distintas: a do corpo e a da alma.

O corpo não gosta da velhice. Esta mostra àquele a degradação, a fraqueza e o cansaço. A velhice acelera a corruptibilidade do corpo.  A velhice chega para o corpo e diz: ‘’ você é mortal’’.

Já a alma não teme a velhice. Pois é esta a causa da maturidade daquela; a alma gosta da velhice. A velhice chega para a alma e diz: ‘’você é eterna.’’

A alma absorve toda nossa vivência, como os sofrimentos, as dores, as frustrações, os tropeços e as conquistas, atribuindo-lhes sentido e unidade. Com isso, angariamos um fruto, colhido pela nosso próprio entendimento, chamado sabedoria. Que maravilhosa essa capacidade da alma ! Só ela é capaz de tirar proveito do tempo, acumulando conhecimentos e verdades que serão levados, como um tesouro, para o plano da eternidade.

Já o corpo , por sua vez, só vê o lado ruim, isto é,  o estado de fraqueza e de perecimento que a velhice lhe impõe.  ”Tu és pó e ao pó retornarás”.

Para o corpo a velhice  traz desespero,  para a alma a velhice traz esperança.

Aqui concluo dizendo que a velhice é sim algo bom. A alma projeta na velhice a esperança de que encontrará neste estado a plenitude do saber. Encontrará a verdade. Encontrará Deus (Lc 2, 29-32). Portanto, amadureça sua alma. Faça-a enxergar o lado bom da velhice. Assim, quando seu corpo disser ”estou ficando velho e mais cansado”,  sua alma responderá: ” estou ficando madura e mais sábia”.

niverleo

Meu aniversário. 22.01.1993

Gregório de Nissa: “A bondade divina brilhará em ti”

Homilia VI sobre as Bem-aventuranças

Se, fazendo um esforço de vida perfeita, limpares as escórias do teu coração, a bondade divina brilhará de novo em ti. É o que acontece com um pedaço de metal quando a pedra de amolar lhe tira a ferrugem: anteriormente, estava enegrecido, mas depois brilha ao sol. Do mesmo modo, o homem interior, a que o Senhor chama «o coração», quando estiver limpo das manchas de ferrugem que alteravam e deterioravam a sua beleza, encontrará a semelhança do seu divino modelo (Gn 1,27) e será bom. Pois o que se torna semelhante à Bondade é necessariamente bom.

E assim, aquele que tem o coração puro torna-se bem-aventurado (Mt 5,8) porque, ao redescobrir a sua pureza, descobre também, através desta imagem, a sua divina origem. Aqueles que vêem o sol num espelho, mesmo que não fixem o céu, vêem o sol na luz do espelho tão bem como se olhassem diretamente para o disco solar. Também vós, que sois demasiado fracos para captar a luz, se vos voltardes para a graça da imagem colocada em vós desde o princípio, encontrareis em vós mesmos o que procurais.

Com efeito, a pureza, a paz da alma, o afastamento de todo o mal é a divindade. Se possuíres tudo isto, certamente possuis a Deus. Se o teu coração estiver afastado de todo o mau comportamento, livre de toda a paixão mundana, puro de toda mancha, serás bem-aventurado, porque o teu olhar será claro.

via Gregório de Nissa: “A bondade divina brilhará em ti” — O Caminho Cisterciense

Moral x Religião

A moral pura e simples aceita a lei do todo que encontra reinando, a fim de reconhecê-lo e obedecer-lhe, mas pode obedecer com o mais pesado e frio dos corações, e nunca deixará de senti-lo como um jugo. Para a religião, todavia, em sua manifestações vigorosas e plenamente desenvolvidas, o serviço ao Altíssimo nunca é sentido como um jugo. A submissão apática ficou para trás, e uma disposição de ânimo de boas-vindas, que pode preencher qualquer lugar na escala entre a serenidade prazenteira e a alegria entusiástica, tomou-lhe o lugar.

Há uma tremenda diferença emocional e prática entre aceitarmos o universo da maneira insípida e descolorida da estoica resignação à necessidade de aceitá-lo com a apaixonada felicidade dos santos cristãos.

(…)

Ao confrontarmos as exclamações estoicas com as cristãs, vemos muito mais que uma diferença de doutrina; separa-as, antes, uma diferença de disposição emocional. Quando Marco Aurélio reflete sobre a razão eterna que ordenou as coisas, nota-se-lhe nas palavras um rio de gelo, que raro se encontra num escrito religioso judeu e nunca num escrito religioso cristão. O universo é “aceito” por todo esses escritores; quão despojado de paixão ou de exultação é o espírito do imperador romano! Comparemos-lhe a formosa sentença: “Se os deuses não se importam comigo nem com meus filhos, há de haver uma razão para isso”. com o grito de Jó: ”Ainda que ele me mate, confiarei nele!” e logo veremos a diferença a que aludo.

A anima mundi, a cuja vontade o estoico consente em submeter seu destino pessoal, está lá para ser respeitada e obedecida, mas o Deus cristão está lá para ser amado.

Trecho do livro de William James ” as variedades da experiencia religiosa- um estudo sobre a natureza humana” Editora Cultrix

A Ciência & A Bíblia

Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem
universitário, que lia o seu livro de ciências .

O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos .

Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

Respondeu o jovem:
– Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História
Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100
anos, mostrou a miopia da religião.Somente pessoas sem cultura ainda
crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem
sobre tudo isso.

– É mesmo? Disse o senhor.

E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

– Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação,
falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então cuidadosamente abriu o bolso interno do paletó e
deu o seu cartão ao universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se
pior que uma ameba.

No cartão estava escrito: Professor Doutor Louis Pasteur, Diretor
Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional
da França.
E um pouco mais abaixo a frase estava escrito em letras gótica e negrita:
*” Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muita, nos aproxima”.*

Fato verídico ocorrido em 1892, integrante da biografia de Louis Pasteur…

DIA 7 DIA DO LEITOR

Ser um leitor

Texto de autoria de Conde Loppeaux

O leitor tem fama de antipático. Lembro-me perfeitamente quando ia a uma festa cujas conversas eram monótonas e não me interessavam. Procurava ver se havia uma biblioteca e se encontrava um livro ou uma revista, distraindo-me no isolamento taciturno. Entretanto fui pego com a mão na massa: o pai de uma amiga minha tirou-me bruscamente o livro da mão e obrigou-me a participar da festa. O notório egocêntrico, monástico, isolacionista, em suma, esse bicho chamado leitor, foi obrigado a conviver em sociedade. O leitor é malvisto por parecer individualista demais, etéreo demais, fora deste mundo. Parece que vive em outro planeta. Todavia, isso não é completamente verdadeiro.

Alguém poderia dizer que numa terra de cegos, quem tem olho é rei. Mas essa lógica não se aplica ao nosso país. O leitor é acima de tudo discriminado pelos analfabetos e pelos iletrados. Numa terra em que não se valoriza a leitura e sim só a aparência dela, o leitor é considerado uma figura exótica, estranha, cuja linguagem é grega, para não dizer marciana.

Se não é confundido com uma criatura inútil, é uma persona non grata, porque pensa demais. Se ele compra livros em demasia, alguém pergunta: – Isso dá dinheiro? E se alguém tiver com um livro de mil páginas na mão, o tolo pergunta: – Você consegue ler tudo isso?Por que você não compra tudo resumido? Por vezes os iletrados, orgulhosos de sua ignorância, acham que o leitor compulsivo mente, porque a burrice é sinônima de inteligência. Ora, se os estúpidos desconhecem tudo o que é dito, logo, é porque não existe! Ao invés de passar por sábio, quantas vezes já perdi a conta por ter sido chamado de “mentiroso”, só porque o resto da patuléia nem conhecia nada do que eu dizia!

Para o leitor contumaz, os livros são objetos valiosos, sagrados, verdadeiras relíquias católicas. De fato, o livro é simbolicamente uma relíquia católica. No mundo medieval, Deus revelou sua sabedoria à humanidade através de dois livros: a Bíblia e o mundo. Inclusive, sinto um ciúme doentio deles. Eu falo por mim mesmo. Prefiro presentear com um livro novo a emprestar um livro raro da minha biblioteca. Em parte há uma explicação: a relação do leitor com um livro é um caso de intimidade, de amor sincero. É como amar cegamente uma mulher. Quantas vezes não já dormi com um livro na mão? Quantas vezes esse estranho objeto não me distraiu? Muitos leitores simplesmente dormem com os livros na cama. É, em suma, um “affair” autêntico de amor sem sexo. O poeta John Milton, em seu livro Aeropagítica, achava crime maior queimar um livro do que queimar um ser humano.

É claro que nem todos os livros valem como relíquia. O que diferencia o mau leitor do bom leitor, além da qualidade própria de ler, é o livro que vai ler e a distinção que faz daquilo que vai ler. Há livros que valem ouro como há livros que não valem uma aspirina vencida. Há livros cujo conteúdo é sagrado, como há livros inúteis, que nada acrescentam. É certo que muitos livros bobos são feitos para nos distrair. No entanto, cabe ao bom leitor saber fazer as seguintes hierarquizações. Não se pode depreciar o que é superior e qualitativo e valorizar cobre como se fosse ouro.

Percebo em muitas pessoas a atração pelos livros de auto-ajuda. Como fala o ditado, se conselho fosse bom seria comprado. É justamente isso que é o livro de auto-ajuda: um conselho comprado. Porém, a grande maioria desses livros é enfadonha, cheia de clichês e frases feitas, que sugestiona o leitor a justamente não pensar. A fórmula do sucesso desses livros está precisamente nas suas generalidades, nas suas obviedades, e exploração rasteira da insegurança das pessoas. Os empresários e os homens de negócios são um dos seus mais vorazes consumidores. A competitividade, a incerteza do futuro, os riscos, o medo de perder, fazem com que os empresários procurem fórmulas prontas para o sucesso. Se alguns leitores acumulam livros por conhecimento, outros acumulam em busca de conselhos.

Sou terrivelmente impaciente, agitado. Quando vou esperar alguém ou aguardo atendimento na fila de um banco ou de um hospital, fico agoniado, quase beirando à doença, porque não há um livro em mãos. Minha cabeça fica agitada, os pensamentos borbulham, as mãos fazem reviravoltas, agoniado que me vejo ao não ler nada e ficar estatelado num canto. Estar sem um livro, esperando o nada, é como perder tempos preciosos da minha vida. A vida é curta demais para o leitor.


O leitor compra pilhas e mais pilhas de livros, como se estocasse conhecimento. É como se a falta daquele livro retirasse um pouco do seu cérebro, um pouco do seu saber. No mais, dá até dor de cabeça, porque a busca da leitura tem algo angustiante, que é a curiosidade mórbida. O leitor procura respostas pra tudo. E quanto mais compra livros, mais ele se sente confortável em tê-los, ainda que não consiga ler todos eles de uma vez. É provável que nunca leia todos os livros adquiridos durante sua vida. Porém, aquele objeto de culto está lá, inerte, disponível para qualquer hora de seu tempo. E a sua presença conforta, porque dá uma sensação de ter conhecimento.

Nunca fui fã de bibliotecas públicas. Não as condeno, as pessoas sem dinheiro precisam ler. Porém, necessito sentir-me dono do livro e do tempo. Odeio ter prazo para ler, prazo para entregar livros. A leitura tem que ser livre, despreocupada. Se bem que minha leitura é muito devagar, assistemática, indisciplinada. Às vezes pego um livro, enfastio-me, paro na página lida e pegou outro, até o assunto me chamar a atenção. Depende muito da minha concentração e do meu momento. Há livros que prendem de tal forma a atenção da pessoa, que o leitor fica eletrizado e páginas vão embora, tais como os ventos, em poucos segundos. Por outro lado, há páginas que nos fazem refletir, e como num atoleiro, passamos minutos ou horas para decifrar uma página ou um capítulo, tais são os esforços psíquicos exigidos. Alguns leitores, inclusive, fazem anotações e mais anotações na margem da página, para memorizar o que leu. Isso me lembra muito Schopenhauer, quando fazia anotações nos livros de sua biblioteca. E o objeto de ódio era sempre Hegel, um “charlatão”, “destruidor de papeis e mentes”, nas suas ásperas palavras. Os seus rascunhos revelam um incrível senso de humor e sarcasmo. Em um dos livros do filósofo de Jena, Schopenhauer faz a seguinte anotação de um trecho da obra; coloca duas orelhas de burro ao lado da margem da página e registra, debochando:- Que besteira! Eu mesmo não sou fã desse expediente. Não gosto de danificar o livro. Talvez eu confie demais na minha memória.

Há quem diga que os livros tiram alguém da realidade. Isso não é completamente verdadeiro. É certo que os leitores, em geral, são avoados e parecem situados em outro mundo, de preferência, no além. Porém, isso também é um erro. O livro é um portal que nos abre a uma realidade muitas vezes incognoscível, difícil de ser compreendida de forma empírica. Em outras palavras, quando se lê um romance ou mesmo um livro de história, o leitor está se deparando com uma dimensão da realidade, ainda que seja fictícia ou passada. A literatura pode ter uma dimensão fantasiosa. Entretanto, suas histórias, de alguma forma, retratam algo que existe na realidade, ainda que de forma surreal. Há muitas coisas na vida que não podem ser compreendidas cartesianamente. E no caso de história, são épocas que fogem à nossa mentalidade, com costumes, pensamentos, valores, expressões e realidades totalmente diferentes da nossa. A diferença, por assim dizer, é que o romance é verdadeiro, existiu de fato.

Por vezes, a história é também surrealista. Quando nos deparamos com determinados personagens históricos reais, parece que algo foi tirado de alguma mente engenhosa e criadora. A bíblia nos diz “verbo caro factum est” (e o verbo se fez carne). Deus criou o mundo com as palavras e Jesus Cristo foi o Verbo encarnado nas profecias das Escrituras. É provável que Deus seja o literato mais surrealista que existe. Se bem que a maldade humana, ilimitada, também surrealista, encarna perfeitamente em certos personagens que saíram de alguma psicologia doentia e desafia completamente nossa imaginação. Talvez seja o diabo escrevendo sua parte do personagem chamado o homem. Para quem inventou a grandeza da civilização ou a torpeza dos campos de concentração, a história humana é, acima de tudo, literatura, insuperável, desafiadora até para a alma do mais criativo artista. Se bem que para reinventar o bem e o mal, deve ser um tipo artista.

Os livros me ajudam nessa empreitada. Talvez seja minha espécie de fuga da realidade. Sim, nos livros há outras realidades. Eles dispersam minha alma de um cotidiano que me parece tacanho, monótono, por vezes triste. Mas eu não fujo propriamente da realidade: apenas amplio a capacidade de vê-la mais além. Quando meditamos o real, vemos apenas aquilo que nos condiz na vida cotidiana, trivial. O essencial é invisível aos olhos, já dizia Saint-Exupéry. Quando Cristovão Colombo quis descobrir novas terras, provavelmente olhava para os horizontes da Espanha e pensava, consigo mesmo, quantos mares e quantos povos haveriam de ser descobertos além daqueles povoados que via. Ele sabia que o mundo era mais além. Ele conseguiu compartilhar esse sonho com a Rainha Isabel, a Católica, que era uma mulher que também compartilhava de seus devaneios, ainda que imperiais, perto dos céticos da corte e do próprio Rei Fernando de Aragão. Se fosse apenas um homem “pragmático”, trivial, preso aos esquemas do cotidiano, Colombo jamais sairia de um bairro da Espanha. Seria apenas um homem comum, como a maioria dos espanhóis daqueles tempos. Quem poderia imaginar, por exemplo, que Bethoveen comporia, surdo, suas sinfonias? O leitor é um navegante singrando os mares das palavras. É alguém que tenta ouvir a sinfonia da vida sem escutar nada.


Há aqueles que vivenciam a realidade dos livros. As mulheres choram copiosamente quando lêem romances. E os homens se apaixonam pelos personagens ou vivem aventuras. Os leitores vivenciam um drama, são personagens do próprio drama que lêem. Em alguns casos chegam a cometer casos extremos. No final do século XVIII, quando Goethe inaugurou uma fase do romantismo alemão, ao publicar o livro sobre as agruras amorosas do jovem Werther, que se apaixona pela mulher noiva de outro, muita gente se encantou com a obra. Muitos leitores levaram tanto a sério o desenrolar do romance, que seguindo o destino trágico do personagem, cometeram suicídio. Foi preciso o próprio escritor e poeta alemão pedir aos leitores que não fizessem isso. Atualmente, as mulheres que choram lendo romances parecem ser raras. E, provavelmente, ninguém se matará lendo o Jovem Werther. Talvez até o leitor genuíno seja raro. . .

É verdade que o leitor pode enlouquecer, já que pode inventar um mundinho paralelo e escapar da realidade. É obrigação de qualquer pessoa sensata saber a dimensão da realidade e do ideal e não cabe sacrificar o que vivemos pelos esquemas artificiais e perigosos das idéias, ideologias e idealizações. Homens não são idéias, são seres de carne e osso. As idéias servem para compreender o mundo, não para distorcê-lo. Todavia, quem se limita apenas ao seu cotidiano, está preso no tempo e no espaço, não consegue ver mais além. O homem puramente prático acaba se limitando ao que vive e esquecendo que a realidade é muito mais além.

O leitor pode ser uma criatura esquisita. Pode falar disparates ou parecer estranho vindo de Marte. Ou mesmo até um individualista esquisito e egocêntrico. Porém, seu mundo se expande a partir das palavras de um livro. Abri-lo é entrar em outra dimensão

HISTÓRIA DE SÃO NORBERTO – Augusto Frederico Schimidt

Opus Matris Dei

São Norberto era um pregador humilde.
Filho de nobres, ligado pelo berço à família dos imperadores,
Vendeu um dia os seus bens e os distribuiu
Pelos necessitados.
Andava descalço mesmo no inverno.

Quando o fizeram arcebispo de Magdeburgo,
Gemeu e chorou longamente antes de obedecer.
Sua tristeza foi imensa.
Sentiu-se subitamente afastado da sua ambição,
Que era a pobreza neste mundo.
Sentiu-se coroado pelos espinhos de um grave poder.
No entanto, intimado pelo Legado do Papa, obedeceu
E veio de Anvers, onde estava, a Magdeburgo,
Montado num burro e vestido como um mendigo,
Com o seu burel esfarrapado.

Veio vindo pelas estradas meditando.
Pesava-lhe a honraria; o contato com os grandes do mundo o ofendia.
Nunca desejara Norberto o comando da Igreja.
Queria apenas transmitir a fama do Cristo
Pela palavra e fundar conventos.
Queria ser um dos últimos, o último, se possível,
Na escala das grandezas.

Sua sede de…

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Conheça as 30 empresas mais acionadas em 2018

Font: site TJRJ
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 03/01/2019 11:0

Concessionárias de energia, companhias telefônicas e bancos concentram a maior parte dos 277.444 registros do TOP-30 de empresas mais acionadas nos Juizados Especiais Cíveis do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), em 2018. Os dados estão disponíveis no site do TJRJ.

De janeiro a novembro desse ano, a Light, primeira colocada na tabela dos litigantes, teve 70.911 ações. A Claro/BCP, de telecomunicações, com 23.633 notificações, a Ampla, também de energia, com 17.553, a Telemar, 16.506, e o banco Bradesco, 14.788, completam as primeiras posições.

Confira a lista completa:

Light Serviços de Eletricidade S/A – 70.911

BCP S.A (Claro, ATL-ALGAR, ATL, Telecom Leste AS) – 23.633

Ampla – Energia e Serviços S/A – 17.553

Telemar Norte Leste S/A (OI – Telefonia Fixa) – 16.506

Banco Bradesco S/A – 14.788

Tim Celular S.A – 13.421

Banco Itaú Unibanco Holding S/A – 12.891

Banco Santander Banespa S/A – 11.055

Sky Brasil – Serviços LTDA – Directv – 9.138

Via Varejo S/A (Ponto Frio – Casa Bahia) – 9.058

Banco do Brasil S/A – 5.890

Banco Itaucard S/A – 5.490

Companhia Estadual de Águas e Esgotos – CEDAE – 5.248

TNL PCS S/A (OI – Telefonia celular) – 4.892

B2W – Companhia Global do Varejo (Americanas.com, Submarino.com) – 4.627

Lojas Americanas S/A – 3.982

Banco BMG S/A – 3.518

Universidade Estácio de Sá -2.696

Unimed – 2.477

Gol Transportes Aéreos S/A – 2.441

Banco Bradesco S/A – ADM. de Cartões de Crédito – 2.351

Ricardo Eletro Divinópolis LTDA – 2.090

Vivo S/A – 1.852

Amil Assistência Médica Internacional – 1.715

Decolar.com LTDA – 1.669

NET Rio LTDA – 1.428

C&A Modas LTDA – 1.444

Carrefour Comércio e Indústria – 1.442

Mobilita Comercio, Indústria e Representações (Casa e Vídeo) – 1.335

Tam Linhas Aéreas S/A – 1.235

Escrever…

(texto extraído do blog confessioetconfessio)


Escrever parece ser um ato de necessidade de certos espíritos, certa compulsão. Clarice Lispector dizia que escrever era perigoso. Talvez a escrita mostrasse coisas estranhas, ocultas. De fato, às vezes me pergunto o que me motiva a escrever. Há uma energia que compele a ter necessidade de falar alguma coisa, uma força incontrolável que sufoca, naufraga em rebuliços. Os pensamentos me afogam e não me deixam em paz. Perco algumas madrugadas neste estranho incômodo e meu sono é roubado. É como se o pensamento quisesse me revelar alguma coisa, do nada. As indagações, as perguntas, as interrogações e as exclamações me surgem como se fossem uma revelação misteriosa da alma. E só me resta escrever, até que a alma descanse e solte o peso entorpecido dos pensamentos.

O papel, as palavras, parecem concretizar essas energias. Estas se tornam palpáveis. E as idéias, que outrora eram apenas forças abstratas, são visíveis, ao menos, na palavra. Se eu não obedeço a essa força de escrever, arrependo-me, porque elas vão embora da cabeça e toda a magia se perde junto. É algo que pede liberação e cujo descumprimento é frustrante. Quantas vezes nem liguei para esse chamado, tentava lembrar dos meus pensamentos e eles todos se perderam? É compreensível que certos escritores, em momentos inesperados, levassem um caderninho de notas para captar a hora incerta de seus próprios pensamentos. Por ora, há situações que produzem esses pensamentos: um incidente de menor tamanho, uma conversa de bar, um comentário tosco de alguém na rua, enfim, tudo isso pode estimular essa compulsão estranha de escrever. Até o mau humor inspira escritores. Dizem que Voltaire, em três dias, de pleno mau humor, escreveu um famoso conto satírico (embora ele escrevesse suas sátiras rindo horrores de seus inimigos espumando de raiva). Balzac era um escritor tão fanatizado, que não o tiravam nem mesmo para almoçar. Deixou volumes de romances. Miguel de Cervantes escreveu o Dom Quixote na cadeia. E nos deu a imagem do cavaleiro de triste figura. . .
Falei de romances. . .infelizmente nunca escrevi um, embora algumas histórias tenham surgido na minha cabeça. Cheguei a escrever o primeiro capítulo da minha história. Era um cavaleiro espanhol que confessava seus pecados a um frade português, em pleno inicio do século XVII. O pano de fundo das confissões seria a desenrolar da história. O problema é que o pensamento, traiçoeiro me escapou da cabeça. Tenho aquela idéia fixa de que se alguém deve escrever uma história, não deve contar a história pela história. Há de ter uma lição moral nos personagens e no enredo, uma personificação simbólica de uma mensagem produtiva. Ela tem de ser convincente, sem clichês. No entanto, só o primeiro capitulo parece que convenceu. Se é que convenceu mesmo, pois eu mesmo gostei! Lembro que li para um amigo o primeiro capítulo. Ele gostou. Menos mal. . .
Por uma época fui poeta. Certos tipos adolescentes costumam ser amorosos, românticos, cheios daquelas sensações do mal do século XIX. Eu fui um deles. O medievalismo contagiava minha cabeça. Acreditava-me o cavaleiro de armadura e escudo, relacionando o ritual do amor com a morte. Usava pseudônimos estranhos. Pergunto-me qual o sentido dessa relação, já que se uma coisa é o esplendor da criatividade, a outra é a destruição? É o sentimento que dá o amor: uma morte interior quando se decepciona. E escrevia compulsivamente poesia. Se o pensamento incomoda, que dirá o sentimento?! A imagem da mulher amada não me deixava dormir. Ela era simplesmente totalizante, um assombro devastador. Houve épocas em que tive a necessidade de escrever cartas para minhas damas. Em um desses “affairs”, cheguei a escrever mais de 20. Porém, parece que as mulheres já perderam o amor pelas palavras escritas. Muitas delas acham o expediente burocrático, cansativo. Têm preguiça de ler. Todavia, quando parei de escrever, algumas reclamaram. Talvez estivessem mal acostumadas. . .e eu tivesse perdido a inspiração.
Minha compulsão é com a realidade. No meu silêncio, observo as pessoas. Reconheço, sou uma figura relativamente estranha: se por um lado, pareço comunicativo, por outro, sou dominado por uma timidez imperiosa. É como se eu me comunicasse com as pessoas, mas, ao mesmo tempo, não tivesse a menor noção de estar lá, como se encontrasse deslocado do meio. Já me senti várias vezes assim. E a solução é observar pessoas, gestos e idéias. Como não poderia deixar de ser, isso acaba me insuflando idéias. Há quem diga que a mente desocupada é o terreno do diabo. Esse é o problema, ela me ocupa sempre, exaurindo-me. E aí surgem meus escritos.
Não sei por que escrevo. Um amigo meu me dizia que eu poderia ter a inspiração do profeta, influenciar pessoas. Talvez Deus tenha me dado uma missão. Contudo, jamais ouso falar em nome Dele. Quem sou eu para me sacralizar? Eu falo apenas por minhas idéias. Deus apenas as ilumina. Ou, ao menos, peço iluminação Dele.